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5 de setembro de 2010

Química Orgânica

As substâncias orgânicas já existiam na pré-história. Um composto orgânico que prova esta afirmação é o álcool etílico, o qual surgiu da primeira fermentação do suco de uva, tal reação deu origem ao vinho. Já a disciplina Química Orgânica surgiu para estudar o Carbono, mas o que torna este elemento essencial na formação dos compostos orgânicos? Esta seção abrange estas e outras propriedades deste elemento fundamental para a vida. É válido ressaltar que o carbono está presente na porcentagem de 60% em massa do organismo humano, como também em todos os seres vivos.

Conheça as diversas Funções Orgânicas: álcoois, aminas, amidas, cetonas, aldeídos, éteres, entre outras, e como elas se caracterizam. Saiba mais sobre o desenvolvimento da Química Orgânica e como através de seu estudo foi possível determinar as estruturas das substâncias, pois uma vez conhecida a estrutura de um composto era possível a produção do mesmo por meio de reações químicas, o que provocou uma evolução na indústria farmacêutica.

Aprenda como é possível ocorrer o fenômeno da Isomeria, caracterizado pela ocorrência de duas ou mais substâncias diferentes que compõe a mesma fórmula molecular e como identificar essa propriedade. A necessidade de proteger o ambiente nos leva ao estudo dos Polímeros: o material que revolucionou a indústria de plásticos e constitui uma ameaça ambiental, veja de que são formados e porque são poluentes.

E mais! Os Hidrocarbonetos, que são todos os compostos constituídos unicamente por carbono e hidrogênio (C, H), ganham uma seção particular dedicada ao estudo dos alcanos, alcenos e alcinos. Confira abaixo!

Hidrocarbonetos

Os hidrocarbonetos naturais são compostos químicos constituídos apenas por átomos de carbono (C) e de hidrogênio (H), aos quais se podem juntar átomos de oxigênio (O), azoto ou nitrogênio (N) e enxofre (S) dando origem a diferentes compostos de outros grupos funcionais. 

Os hidrocarbonetos tem um série de cadeias sendo divididos em:
  1. hidrocarbonetos alifáticos: neles, a cadeia carbônica é acíclica (ou seja, aberta), sendo subdivido em:
    • alcanos
    • alcenos
    • alcinos
    • alcadienos
  1. hidrocarbonetos cíclicos: possuem pelo menos uma cadeia carbônica fechada, subdivididos em:
    • cicloalcanos ou ciclanos
    • cicloalcenos ou ciclenos
    • cicloalcinos ou ciclinos
    • aromáticos, que possuem pelo menos um anel aromático (anel benzênico) além de suas outras ligações.
- Alcanos: são hidrocarbonetos alifáticos saturados, isto é, apresentam cadeia aberta com simples ligações apenas. 
Fórmula geral: 
CnH2n+2 
Butano: C4H10 
- Alcenos: ou olefinas, são hidrocarbonetos alifáticos insaturados que apresentam uma dupla ligação. 
Fórmula geral: CnH2n 


Eteno: C2H4 
- Alcinos: são hidrocarbonetos alifáticos insaturados por uma tripla ligação. 
Fórmula geral: CnH2n-2 


Etino: C2H2, também conhecido como Acetileno. 

- 
Alcadienos: são hidrocarbonetos alifáticos insaturados por duas ligações duplas. 
Fórmula geral: CnH2n-2 


1,3-Butadieno: C4H6 

Hidrocarbonetos Cíclicos

- Cicloalcanos: apresentam cadeia fechada com apenas simples ligações. 


Ciclohexano: C6H12 
- Cicloalcenos: são hidrocarbonetos cíclicos insaturados por uma dupla ligação. 


Ciclobuteno: C4H6 

- 
Aromáticos: ou Arenos, são hidrocarbonetos em cuja estrutura existe pelo menos um anel benzênico (aromático). 

Anel Benzeno: C6H6
(Fonte: brasilescola.com/wikipédia.com)
Moysés Lopes

Simulado: hora de testar os conhecimentos

O segredo para o sucesso é manter o foco e treinar bastante e com o vestibular não é diferente. Para treinar, nada melhor que usar os simulados do colégio ou do cursinho como aliados. Quem acredita que o simulado não adianta nada na preparação do vestibular, além de estar completamente enganado, está tirando de si uma oportunidade única de melhorar o autocontrole. 

Para muitos, ter uma posição qualquer no ranking da escola não é muito estimulante, mas os estudantes precisam enxergar o simulado com outros olhos. Não é ele quem vai dizer se sua aprovação no vestibular é garantida ou não. Pelo contrário, sua função é apontar para o aluno seus pontos fortes e, principalmente, os fracos. 

Sabendo dessa importância, o Cursinho Pré-Vestibular Bolsa Família realizou no último domingo de agosto (29/08), um simulado para que os alunos possam testar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. O exame teve início às 08:00 e término ao meio-dia, contendo as disciplinas de Língua Portuguesa, Química, Geografia, Matemática e Inglês. O simulado possuía o total de 55 questões, sendo 10 de cada disciplina, com exceção de Língua Portuguesa que possuía um total de 15 questões divididas entre interpretação de texto e gramática. Sempre incentivando e estimulando o hábito de estudar, o Cursinho irá premiar os 3 melhores colocados neste primeiro simulado. 

No próximo dia 12 de setembro e no mesmo horário, os alunos farão o II Simulado com as disciplinas de Literatura, Biologia, História, Física, Espanhol e Redação.

Tá esperando o quê? Tá na hora de estudar!
A equipe técnica deseja boa sorte a todos.
(Fonte: www.alunosonline.com.br)
Moysés Lopes

4 de setembro de 2010

ILUMINISMO

No século XVIII, um grupo de pensadores começou a se mobilizar em torno da defesa de idéias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes em toda Europa. Levantando questões filosóficas que pensavam a condição e a felicidade do homem, o movimento iluminista atacou sistematicamente tudo aquilo que fosse considerado contrário a busca da felicidade, da justiça e da igualdade. 

Dessa maneira, os iluministas preocuparam-se em denunciar a injustiça, a dominação religiosa, o estado absolutista e os privilégios enquanto vícios de uma sociedade que, cada vez mais, afastava os homens do seu “direito natural” à felicidade. Segunda a visão desses pensadores, sociedades que não se organizam em torno da melhoria das condições de seus indivíduos concebem uma realidade incapaz de justificar, por argumentos lógicos, sua própria existência. 

Por isso, o pensamento iluminista elege a “razão” como o grande instrumento de reflexão capaz de melhorar e empreender instituições mais justas e funcionais. No entanto, se o homem não tem sua liberdade assegurada, a razão acaba sendo tolhida por entraves como o da crença religiosa ou pela imposição de governos que oprimem o indivíduo. A racionalização dos hábitos era uma das grandes idéias defendidas pelo iluminismo. 

As instituições religiosas eram sistematicamente atacadas por esses pensadores. A intromissão da Igreja nos assuntos econômicos e políticos era um tipo de hábito nocivo ao desenvolvimento e o progresso da sociedade. Até mesmo o pensamento dogmático religioso era colocado como uma barreira entre Deus e o homem. O pensamento iluminista acreditava que a natureza divina estava presente no próprio indivíduo e, por isso, a razão e o experimento seriam seguros meios de compreensão da essência divina. 

Inspirados pelas leis fixadas nas ciências naturais, os iluministas também defendiam a existência de verdades absolutas. O homem, em seu estado originário, possuía um conjunto de valores que fazia dele naturalmente afeito à bondade e igualdade. Seriam as falhas cometidas no desenvolvimento das sociedades que teria afastado o indivíduo destas suas características originais. Por isso, instituições políticas preocupadas com a liberdade deveriam dar lugar às injustiças promovidas pelo Estado Absolutista. 

Por essas noções instalava-se uma noção otimista do mundo que não teria como interromper seu progresso no momento em que o homem contava com o pleno uso de sua racionalidade. Os direitos naturais, o respeito à diversidade de idéias e a justiça deveriam trazer a melhoria da condição humana. Oferecendo essas idéias, o iluminismo motivou as revoluções burguesas que trouxeram o fim do Antigo Regime e a instalação de doutrinas de caráter liberal.


Emanuella Sousa


2 de setembro de 2010

ABSOLUTISMO

Comumente compreendida como uma forma de governo que veio superar os entraves do mundo feudal, a ascensão dos Estados Nacionais Absolutistas envolve um conjunto de fatores bem mais amplos que simples mudança de um sistema sócio-econômico. É bem verdade que, desde o século XI, com o reaquecimento das atividades comerciais pela Europa, alguns costumes e práticas da Idade Média perderam espaço para o início de um novo período histórico. Porém, existem outros fatores de ordem cultural, geográfica e filosófica importantes para a compreensão desse processo. 

Dessa forma, não foi só pelo interesse da burguesia comercial que os Estados Nacionais conseguiram se firmar em solo Europeu. Os chamados teóricos do absolutismo, que surgiram principalmente no século XVI, também serviram de base para que essa nova forma de regime político pudesse se estabelecer. Mesmo defendendo novas idéias, podemos também compreender que as teorias absolutistas não promoveram uma ruptura completa com alguns pontos da sociedade feudal. 

No Estado Absolutista, a autoridade máxima era representada pela figura do rei, que na grande maioria dos casos tinha origem nobre. A partir disso, podemos evidenciar que a nobreza detentora de terras, poderosa durante o mundo feudal, também participou dos mais elevados quadros políticos da Idade Moderna. É importante lembrar que os nobres, dentro do Estado Absolutista, desfrutavam de grandes privilégios como, por exemplo, a isenção de impostos. 

Contundo, não podemos deixar de frisar o papel da burguesia, que via na unificação e nas padronizações político-adminstrativas um meio eficaz para ampliar seus ganhos comerciais. A descentralização política, o pagamento de tributos feudais e a falta de uma unidade monetária limitavam imensamente os ganhos comerciais. Com a criação de um território unificado, onde só o Estado cobrava impostos e existia uma mesma moeda, era possível aumentar os lucros da burguesia. 

Para a criação dos estados, além do interesse da burguesia e da nobreza, também deveriam ser desenvolvidas um novo conjunto de valores culturais e ações geopolíticas que legitimassem a nova ordem estabelecida. Dessa forma, os Estados Nacionais procuraram definir seus territórios, promoveram a criação de símbolos nacionais, criaram uma única moeda, estabeleceram uma língua oficial e, até mesmo, recontaram as origens do povo pertencente àquela nação. Outro fator importante na construção do Estado Nacional foi a adesão da Igreja ao novo poder, proclamando o caráter divino do rei. 

Assim, devemos compreender que a formação dos Estados Nacionais como um processo lento e gradual. As monarquias nacionais foram surgindo na Europa ao custo de diversas batalhas e tratados que vão dar a estabilidade necessária a esse tipo de governo. Entre outras batalhas podemos destacar a Guerra da Reconquista, que expulsou os árabes da península Ibérica; e a Guerra dos Cem Anos, que marcou disputas territoriais entre a Inglaterra e a França como exemplos das disputas que marcaram a formação das Monarquias Nacionais.


São Bernardo: Graciliano Ramos narra com primor trajeto existencial

O que mais impressiona no romance "São Bernardo" (1934), de Graciliano Ramos (1892-1953), é a forma como o protagonista, Paulo Honório, narra a sua caminhada, desde a progressiva ascensão até a decadência. Isso é contado numa linguagem que não se perde na melancolia ou nos adjetivos, mas se caracteriza por uma extrema concisão.

A sua história é marcada pela solidão. Abandonado pelos pais e criado por uma negra doceira, trabalhou na roça e, em busca de seu objetivo, o poder econômico, com uma arma na mão e a mentalidade de enriquecer de qualquer modo na cabeça, conseguiu adquirir a fazenda São Bernardo, em Viçosa, Estado de Alagoas, onde fora empregado.

Fingindo-se amigo de Luís Padilha, o dono da fazenda, emprestando dinheiro e dando propositalmente maus conselhos, ele logo torna-se o novo proprietário. Isso, no entanto, não lhe basta. Com pequenas e grandes violências e trapaças, consegue reunir uma equipe de comparsas que o ajuda a conquistar o que deseja. São estabelecidos elos entre o capanga Casimiro Lopes, o jornalista Gondim, o Padre Silvestre e políticos locais para atingir a riqueza.

Oposição de visões de mundo

Ao alcançar o poder almejado, vem a necessidade de ter um filho, que será o herdeiro de seus bens. Essa é a principal razão para o casamento com Madalena, professora da vila. Intelectual e com um pensamento de esquerda, ela ajuda os empregados no que pode e ainda tenta melhorar a escola, onde o ex-proprietário da fazenda, Luis Padilha, é agora dono.

A oposição de visões de mundo e de temperamento evidencia-se gradativamente. Ele se impõe pela violência e pelas ordens autoritárias; ela tenta ser suave e solidária com os funcionários e coerente com seu ideal de educação. Paulo Honório vai perdendo o controle da situação e o ato de duvidar da fidelidade dela pode ser considerado apenas o resultado de sua própria insegurança.

A espiral de decadência se instaura. Madalena não encontra meios de combater a agressividade e o desejo de posse do marido. Cada vez mais triste e fraca, praticamente ignora o filho que tem com o dono de São Bernardo, e acaba por cometer suicídio. O marido sente o baque e começa a duvidar da própria possibilidade de reação perante o mundo.

Derrocada econômica e emocional

O marco econômico da derrocada, paralelo ao emocional da perda da esposa, é a Revolução de 1930, em que a indústria surge como alternativa ao trabalho agrícola. Sozinho, sem alguns de seus asseclas, Paulo mergulha em profunda solidão.

Longe das pessoas, sem nenhum envolvimento com o filho de três anos, e cada vez com menos bens materiais, consumidos pela crise em que afundara, ele busca ajustar as contas com si mesmo. A forma escolhida é a redação de um romance.

A obra, por um lado, pode ser vista como regionalista, pela maneira como realiza uma crítica à vida agreste do sertão; por outro, há nela uma autêntica aula de escrita ao conseguir mostrar como Paulo Honório vai se "humanizando" pelo próprio ato de construir seu romance, refletindo sobre os erros que cometeu em sua busca desmedida pelo poder.

Ana Christina Damasceno


1 de setembro de 2010

REFORMA PROTESTANTE - CONTRA-REFORMA

A Contra-Reforma, de modo geral, consistiu em um conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica com o surgimento das religiões protestantes. Longe de promover mudanças estruturais nas doutrinas e práticas do catolicismo, a Contra-Reforma estabeleceu um conjunto de medidas que atuou em duas vias: atuando contra outras denominações religiosas e promovendo meios de expansão da fé católica. 

Uma das principais medidas tomadas foi a criação da Companhia de Jesus. Designados como um braço da Igreja, os jesuítas deveriam expandir o catolicismo ao redor do mundo. Contando com uma estrutura hierárquica rígida, os jesuítas foram os principais responsáveis pelo processo de catequização das populações dos continentes americano e asiático. Utilizando um sistema de rotinas e celebrações religiosas regulares, a Companhia de Jesus conseguiu converter um grande número de pessoas nos territórios coloniais europeus. 

A Inquisição, instaurada pelo Tribunal do Santo Oficio, outra instituição eclesiástica criada na Contra-Reforma, teve como principal função combater o desvio dos fiéis católicos e a expansão de outras denominações religiosas. Além de perseguir protestantes, a Santa Inquisição também combateu judeus e islâmicos, que eram considerados pecadores e infiéis. Entre outras formas, a Inquisição atuava com a abertura de processos de investigação que acatavam denúncias contra hereges e praticantes de bruxaria. Caso fossem comprovadas as denúncias, o acusado era punido com sanções que iam desde o voto de silêncio até a morte na fogueira. 

Em 1542, o Concílio de Trento, uma reunião dos principais líderes da Igreja organizada pelo papa Paulo III, selou o conjunto de medidas tomadas pela Contra-Reforma. No Concílio de Trento estabeleceu-se o princípio de infabilidade papal e a declaração do Índex, conjunto de livros proibidos pela Igreja. Além disso, a Vulgata foi estabelecida como versão oficial da Bíblia Sagrada, foi proibida a venda de indulgências e todas as doutrinas católicas foram reafirmadas.




Emanuella Sousa

Vícios de linguagem: os erros de português mais comuns

Vícios de linguagem é o nome que se dá ao modo de falar ou escrever que não está de acordo com a norma culta. O "erro" torna-se "vício" quando se torna comum ou freqüente na expressão de uma ou mais pessoas.

A tabela a seguir resume os principais casos:


Vícios de Linguagem
Barbarismo Todo erro que se relaciona à forma da palavra. cacoépia: seje, em vez de seja.
cacografia: rúbrica, em vez de rubrica.
estrangeirismo: exame antidoping.
Arcaísmo Emprego de palavras que caíram desuso. Mui fremosa senhorita.
Anfibologia ou ambigüidade A mensagem apresenta mais de um sentido devido à má disposição das palavras na frase. O garoto viu o roubo do carro. (O garoto estava no carro e viu o roubo ou viu o carro ser roubado?)
Cacófato Palavra inconveniente, ridícula ou obscena resultante da união das sílabas de palavras vizinhas. A boca dela era horrível.
Solecismo Erro de sintaxe. Concordância: Fazem muitos anos. (Nesse caso fazer é impessoal.)
Regência: Esse é a música que ele mais gosta. (Essa é a música de que ele mais gosta.)
Colocação: Me faça um favor... (Faça-me um favor...)
Pleonasmo Repetição de palavras inúteis, pois nada acrescentam ao que já foi dito. Subiu para cima. Entrou para dentro.
Eco É a rima em prosa, sem intenção estilística. Infelizmente, essa ideia me veio à mente somente de repente.

Iracema obra de José de Alencar

"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba [...]" Com essas palavras, José de Alencar começa "Iracema", a que chama "Lenda do Ceará e que é, na verdade, um texto de difícil classificação.

Trata-se claramente de um romance se consideramos seu enredo. Por outro lado, é um poema em prosa, se levarmos em conta o estilo, em que predomina o lirismo amoroso e a exploração do vocabulário indígena no português falado no Brasil.

Certamente um ponto altíssimo no conjunto da obra de José de Alencar, "Iracema" - apesar das dificuldades que a linguagem pode apresentar ao leitor de hoje - merece de fato ser lido, do começo ao fim.

O texto é muito breve, com cerca de 80 páginas nas edições mais recentes. No entanto, seu enredo é repleto de aventuras e peripécias, bem ao gosto do Romantismo, escola literária da qual Alencar é um dos maiores expoentes no Brasil.

Enredo

A história se inicia com o guerreiro branco Martim Soares Moreno, amigo dos índios pitiguaras, que habitavam o litoral, perdendo-se nas matas. Lá foi encontrado por Iracema, a deslumbrante virgem, filha do pajé Araquém, da tribo dos tabajaras, habitantes do interior da região.

Iracema acolheu o jovem branco e o levou para sua tribo, onde ele foi recebido como hóspede e amigo. Ao inteirar-se da celebração que os tabajaras faziam a seu grande chefe Irapuã, que vai comandá-los num combate aos pitiguaras, Martim resolveu fugir, naquela mesma noite. Iracema o impediu, pedindo-lhe que aguardasse a volta de seu irmão Caubi, que poderia guiá-lo pelas matas.

Triângulo amoroso

Aos poucos, surge um afeto entre Iracema e Martim, que logo se transformou em paixão. A situação se complica, pois Irapuã também estava apaixonado pela índia e tentou matar Martim quando este já deixava a aldeia, após descobrir que Iracema, por ser filha do pajé e guardiã do segredo da jurema, deve permanecer solteira.

No entanto, a união dos dois se consuma numa noite em que Martim, em sonho, imaginou possuir Iracema, sendo que esta de fato se entregou a ele. Desse modo, quando Martim decide partir para escapar a Irapuã e aos tabajaras, Iracema lhe revelou a verdade e se dispôs a segui-lo. Os dois partiram ao encontro de Poti, chefe dos pitiguaras, que considerava Martim seu irmão. Foram seguidos por Irapuã e os tabajaras, o que resulta no conflito entre as duas tribos adversárias.

Mesmo sofrendo pela derrota de seu povo e pela morte de muitos dos seus, Iracema segue Martim e passa a viver com ele na tribo de Poti. Com o passar do tempo, porém, Martim se mostra desinteressado pela esposa, parece sentir saudades da civilização de onde veio, mas sabe que não pode ir para lá e levar Iracema com ele. Nesse ínterim, o guerreiro branco - que adotou o nome indígena de Coatiabo - enfrenta diversos combates, enquanto Iracema engravida de um filho seu. Ainda assim, a índia sofre as constantes ausências do marido e definha de tristeza.

O filho do sofrimento

Ao voltar de uma batalha, Martim encontra Iracema com seu filho - a quem ela chamou Moacir, que significa "o filho do sofrimento". A índia está extremamente debilitada. Só teve forças para entregar o filho ao pai e pedir-lhe que a enterrasse aos pés de um coqueiro de que ela tanto gostava. O lugar onde Iracema foi enterrado passou a se chamar Ceará - segundo a tradição, Ceará significa canto da jandaia, a ave de estimação de Iracema.

Sofrendo a perda de Iracema, Martim retorna a sua pátria com o filho. Quatro anos depois, volta novamente ao Brasil, onde ajuda a implantar a fé cristã, convertendo Poti, que recebeu o nome de Felipe Camarão. Os dois ajudaram o comandante Jerônimo de Albuquerque na luta contra os holandeses. Quando podia, Martim ia ao local onde Iracema estava enterrado e se deixava consumir pela saudade.

O simbolismo da narrativa de Alencar é evidente: do cruzamento das duas raças - o europeu e o índio - nasce o brasileiro. Nesse sentido, a obra é uma expressão do Indianismo que caracterizou a primeira fase do Romantismo no Brasil. O país - cuja independência completava 43 anos à publicação de Iracema (1865) - precisava valorizar suas raízes e sua história, para afirmar-se como nação livre e soberana.

Ana Christina Damasceno