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16 de setembro de 2010

Física

O que é a Física?
Física é a ciência que estuda a natureza em seus aspectos mais gerais. O termo vem do grego φύσις (physiké), que significa natureza. Atualmente, é dificílimo definir qual o campo de atuação da física, pois ela aparece em diferentes campos do conhecimento que, à primeira vista, parecem completamente descorrelacionados.
Como ciência, faz uso do método científico. Baseia-se essencialmente na matemática e na lógica quando da formulação de seus conceitos.
O que faz a Física
A física estuda a natureza. Entretanto, outras ciências também o fazem: a Química, a Biologia, a Geologia, a Economia (ainda que seja a natureza humana), etc. Como definir a área de atuação de cada uma delas? Esta é uma pergunta difícil, sem resposta consensual. Ainda mais quando áreas interdisciplinares aparecem aos montes: Físico-Química, Biofísica, Geofísica, Econofísica, etc.
Alguns dizem que físicos estão interessados em determinar a natureza do espaço, do tempo, da matéria, da energia e das suas interações. Esta definição excluiria certas áreas mais novas da física que trabalham com a biologia, por exemplo.
Outros dizem que Física é a única ciência fundamental e que estas divisões são artificiais, ainda que tenham utilidade prática. Seu argumento é simples: a Física descreve a dinâmica e configuração das partículas fundamentais do universo. O universo é tudo que existe e é composto destas partículas. Então todos os fenômenos, eventualmente abordados em outras ciências, poderiam ser explicados em termos da física destas partículas. Seria como dizer que todos os resultados das outras ciências podem ser derivados em bases físicas. Isso já acontece com explicações de fenômenos antes demonstrados pela Química e hoje explicados pela Física . Entretanto, ainda não é muito fácil explicar a grande maioria dos fenômenos de outros ramos da ciência, pois isto envolve campos ainda não explorados e uma matemática muito elaborada.
Com base nisso, alguns chegam a sugerir que até mesmo o cérebro um dia poderá ser descrito por uma equação ou um conjunto de equações matemáticas (muito provavelmente envolvendo muitos argumentos de probabilidade).
Há os que argumentam que as divisões da ciência têm origem social e histórica e que definições de física são forjadas para tentar reunir todas as pessoas que são aceitas como físicos pela sociedade.
Talvez quem esteja certo seja quem acredite na máxima:
Físicos são pessoas diferentes, em lugares diferentes, fazendo coisas diferentes.

Divisões
Como outras ciências, a Física é dividida de acordo com diversos critérios. Em primeiro lugar há uma divisão fundamental entre física teórica, física experimental e física aplicada. (Os dois primeiros ramos se reúnem sob a denominação pesquisa básica.)
* A física teórica procura definir novas teorias que condensem o conhecimento advindo das experiências; também vai procurar formular as perguntas e os experimentos que permitam expandir o conhecimento.
* A física experimental conduz experimentos capazes de validar ou não teorias científicas, ou mesmo corrigir aspectos defeituosos destas teorias.
* A física aplicada trata do uso das teorias físicas na vida cotidiana.
Uma outra divisão pode ser feita pela magnitude do objeto em análise. A física quântica trata do universo do muito pequeno, dos átomos e das partículas que compõem os átomos; a física clássica trata dos objetos que encontramos no nosso dia-a-dia; e a física relativística trata de situações que envolvem grandes quantidades de matéria e energia.

prof. Wellyson Melo

CÂMARAS MUNICIPAIS NO BRASIL COLONIAL

No processo de organização das ações político-administrativas do espaço colonial brasileiro, havia grandes dificuldades para regulamentar e resolver as questões ocorridas nos vários centros urbanos da época. Com isso, a Coroa Portuguesa permitia a organização de órgãos que viessem a responder os problemas locais que estariam fora de seu alcance. Entre estas instituições de natureza administrativa, havia especial destaque para as câmaras municipais.

As câmaras municipais tinham o poder de decidir diversas questões referentes aos cuidados e medidas dirigidas a uma determinada região. De forma geral, uma câmara municipal tinha a incumbência de controlar as rendas e gastos da administração pública do local, regulamentar as atividades comerciais desenvolvidas nos arredores da cidade, cuidar da preservação e limpeza de todo o patrimônio público e empreender a realização de obras públicas.

Para se decidir essas questões de suma importância local, a câmara municipal era composta por um grupo de vereadores presidido por um juiz. Esses cargos exercidos no ambiente da câmara eram reservados somente aos grandes proprietários de terra daquela localidade. Aqueles que escolhiam ou exerciam esses cargos eram usualmente chamados de homens bons. Escravos, mulheres, mulatos e, durante algum tempo, nem mesmo os comerciantes poderiam integrar o corpo diretivo de uma câmara.

Tal medida restritiva pretendia vetar a inserção de figuras políticas descompromissadas com os interesses da metrópole. Apesar disso, durante toda a história do período colonial, foram vários os momentos em que os membros da Câmara Municipal entraram em desacordo com os princípios estipulados pelos representantes do governo lusitano. Dessa forma, o descumprimento de determinações ditadas por Portugal e a corrupção política eram recorrentes no interior das câmaras.

Apesar do choque de interesses apresentar as contradições desenvolvidas no processo de colonização brasileiro, a exclusão política presente nas câmaras serviram para o atendimento dos interesses da ótica de exploração mercantilista dos portugueses. Dentro deste contexto, essa característica da administração colonial veio a permitir o acúmulo dos capitais responsáveis pelo desenvolvimento do capitalismo europeu.


Emanuella Sousa



CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

Nas primeiras décadas do século XVI, Portugal, ainda atraído pelo comércio oriental, restringiu ao extrativismo suas ações de exploração do território colonial brasileiro. Dessa forma, realizava poucas expedições que somente transportavam as toras de pau-brasil que eram trazidas pelos índios ao litoral e organizavam algumas expedições de proteção e reconhecimento do litoral brasileiro.

Apesar dessas ações, a ameaça de invasão dos corsários estrangeiros, principalmente franceses, obrigou a Coroa Portuguesa a rever sua política de ocupação na colônia. A primeira medida tomada nesse sentido aconteceu em 1530, quando a expedição de Martim Afonso de Sousa foi enviada com os primeiros colonos a se fixarem definitivamente no espaço colonial. Por obrigação, Martim Afonso e os demais colonizadores deveriam fundar vilas, povoar e desenvolver a economia local.

No ano de 1534, dando continuidade ao projeto de tomada de posse, o rei dom João III dividiu a nova colônia em quinze faixas de terra. Cada um desses imensos lotes de terra integraria o sistema de capitanias hereditárias, que transferiu a responsabilidade de ocupar e colonizar o território colonial para terceiros. Nesse sistema, o rei entregava uma capitania a algum membro da corte de sua confiança que, a partir de então, se transformava em capitão donatário.

Aquele que recebia o título de capitão donatário não poderia realizar a venda das terras oferecidas, mas tinha o direito de repassá-las aos seus descendentes. No momento da posse, o capitão donatário recebia duas importantes documentações da Coroa: a Carta de Doação e o Foral. Nesse primeiro documento ficava estabelecido que o governo de Portugal cedia o uso de uma determinada capitania a um donatário e que este não poderia negociá-la sob nenhuma hipótese.

Já o Foral determinava o conjunto específico de direitos e obrigações que o capitão donatário teria em suas mãos. Ele poderia fundar vilas, doar sesmarias (lotes de terra não cultivados), exercer funções judiciárias e militares, cobrar tributos e realizar a escravização de um número fixo de indígenas. Com relação às atividades econômicas, ele poderia ter uma parte dos lucros, desde que isso não ferisse os direitos de arrecadação da Coroa Portuguesa.

Apesar de tantas especificidades e regras de funcionamento, o sistema de capitanias hereditárias acabou não alcançando os resultados esperados. A falta de apoio econômico do governo, a inexperiência de alguns donatários, as dificuldades de comunicação e locomoção, e a hostilidade dos indígenas dificultaram bastante a execução deste projeto. Com o passar do tempo, muito donatários abriram mão do privilégio e outros nem mesmo reuniram recursos para atravessar o Atlântico e formalizar a posse.

As capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as únicas que conseguiram prosperar e superar as dificuldades da época. A explicação dada para esses dois casos se encontra nos lucros obtidos com a instalação da indústria açucareira nestas regiões. Posteriormente, os portugueses decidiram centralizar o modelo político-administrativo do território com a implantação do Governo-geral. Somente em 1759, as capitanias hereditárias desapareceram com a ação do ministro Marquês de Pombal.


Emanuella Sousa

15 de setembro de 2010

As três gerações de poetas românticos do Brasil

O romantismo no Brasil, no que se refere à poesia, teve três gerações de grandes poetas. O crítico literário Valentim Facioli, professor da Universidade de São Paulo (USP), explica o que foi e como se desenvolveu a poesia romântica na literatura brasileira.

Diz-se que a literatura romântica procurou exaltar as características nacionais. Como isso aconteceu?

A poesia, o romance e o teatro procuraram "revelar" os vários e diferentes aspectos do país e do homem brasileiro: os sentimentos de amor à pátria, de grandeza do território brasileiro, de beleza e majestade da natureza, de igualdade de todos os habitantes do país, da benevolência e hospitalidade do povo, das grandes virtudes dos nossos costumes patriarcais, das incomuns qualidades afetivas e morais da mulher brasileira, do alto padrão da nossa civilização e da nossa privilegiada paz social.

Essa imagem romântica do país correspondia à realidade?

Não. Por volta de 1850, a população do país era de pouco mais de 8 milhões de habitantes: 5,5 milhões dos quais eram homens livres, e 2,5 milhões, escravos. Do total de habitantes, os alfabetizados eram apenas 15 a 20%. A economia do país era quase exclusivamente rural, agrícola, à custa do trabalho escravo. Os homens livres, não-proprietários, viviam em estreita dependência econômica, pessoal e moral dos grandes proprietários rurais através de relações de favor e proteção.

A literatura, então, tinha um público restrito?

Sim, era feita especialmente no Rio de Janeiro, que era a Corte, sede do Império. Ali floresceu um comércio mais intenso de mercadorias e de ideias; surgiram os teatros, os bailes; as ruas movimentaram-se; a burocracia civil e militar conseguiu certa autonomia em relação aos proprietários e políticos conservadores. E o surgimento de algumas escolas médias e superiores, não só no Rio, mas também em Pernambuco, Bahia e São Paulo, favoreceu o crescimento de um bom número de jovens mais liberados dos rígidos controles patriarcais. As próprias mulheres puderam sair da reclusão em que eram mantidas. Na verdade, os jovens estudantes, a burocracia e as mulheres mais liberadas constituíram o pequeno público que lia e consumia a literatura romântica, tanto aquela produzida aqui, quanto a importada da Europa, especialmente da França.

Existe um caráter único, uma semelhança de estilo nos poetas românticos brasileiros como um todo?

Não. Como o Romantismo durou quase meio século, foram muitos os autores que escreveram sob sua influência. Por isso, com base principalmente nas diferenças, podemos agrupá-los em gerações, isto é, em grupos de autores que se assemelham e viveram mais ou menos no mesmo período, mas, ao mesmo tempo, se diferenciam de outros. Podemos dizer que há três gerações de românticos brasileiros.

O que caracteriza a primeira geração romântica?

Predominam o nacionalismo e patriotismo, através da "descoberta" de aspectos característicos da paisagem local, nacional tropical, em que se realça o típico, o exótico e a beleza natural, exuberante, em oposição à paisagem e natureza europeias. O índio é encarado como elemento formador do povo brasileiro, como nas obras de Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. Há também forte religiosidade (oficialmente católica) que identifica as possibilidades da poesia romântica com o sentimento cristão, em oposição ao "paganismo" da poesia neoclássica ligada à tradição greco-latina. Poesia amorosa, idealizante e fortemente sentimental, marcada por certa influência da lírica portuguesa, a medieval, a camoniana, e a dos românticos, Garrett, principalmente.

E quanto à Segunda geração? Em que ela se diferencia da anterior?

A maioria das características da geração anterior, em geral, permanece. Mas os poetas assumem agora um extremo subjetivismo, passando à imitação de outros poetas europeus (Lord Byron, inglês; Alfred Musset, francês, especialmente), centrando-se numa temática de amor e morte, dúvida e ironia, entusiasmo e tédio. A evasão e o sonho caracterizam o egotismo dessa geração, isto é, o culto do eu, da subjetividade, através da tendência para o devaneio, o erotismo difuso ou obsessivo, a melancolia, o tédio, o namoro com a imagem da morte, a depressão, a auto-ironia masoquista.

Essa geração não traduz também uma certa rebeldia juvenil, um pendor à transgressão, segundo o modelo criado pelo inglês Lord Byron?

O byronismo aparece através da figura do homem fatal, de faces pálidas, olhar sem piedade, marcado pela melancolia incurável, desespero e revolta, conjuntamente com a imagem do poeta genial, mas desgraçado e perseguido pela sociedade, condenado à solidão, incompreendido por todos, desafiando o horror do próprio destino. O mal do século, uma doença indefinível, entedia e faz desejar a morte como a única via de libertação. Na verdade, a imagem de uma contradição insolúvel entre o excesso de energia interior, do eu, a procura do absoluto, e os limites das condições reais dos homens e da sociedade. São dessa geração: Casimiro de Abreu, Laurindo Rabelo, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Bernardo Guimarães.

E o que se pode dizer sobre a Terceira Geração?

Os poetas desta geração guardam enormes diferenças entre si, especialmente Castro Alves e Sousândrade. Esta é a geração mais heterogênea do Romantismo no Brasil. Castro Alves, escrevendo em fins da década de 60, já expressa a crise do Brasil puramente rural e o lento, mas firme crescimento da cultura urbana, dos ideais democráticos e, portanto, o despontar de uma repulsa pela moral do senhor-servo, que poluía as fontes da vida familiar e social no Brasil Império.

Que ideias ou ideais estão por trás da poesia de Castro Alves?

Os ideais abolicionistas e o culto do progresso são o fundo ideológico de sua poesia, que se faz eloquente, grandiloquente, oratória, repassada de imagens e metáforas de grandeza. Marcada de forte indignação, a poesia de Castro Alves faz-se liberal, renovando o tema amoroso, liberando-o das noções de pecado e culpa, cultivando um erotismo sensual, de prazer, e denunciando a escravidão; abrindo, portanto, "baterias poéticas" contra o conservadorismo e o atraso mental, moral do Império e as injustiças da ordem social.

É isso que se convencionou chamar de condoreirismo. Sousândrade também se enquadra nesse padrão?

Sousândrade, que começa como poeta próximo da Segunda geração, torna-se uma voz destoante do nosso Romantismo, entrando na Terceira geração apenas por cronologia. Esquecida durante meio século, sua poesia, embora marcada também pelo abolicionismo e republicanismo, realiza-se diferentemente dos românticos, porque repassada de grandes novidades temáticas e formais.

Como assim?

O processo de composição poética volta-se para inesperados arranjos sonoros, pelo uso de diversas línguas integrativamente, com ousados "conjuntos verbais" que quebram mesmo a estrutura sintática da língua portuguesa. A par com isso, por ter vivido anos nos Estados Unidos, foi capaz de captar os novos modos de vida do capitalismo industrial e urbano, em o "inferno de Wall Street", trecho do poema "O Guesa", fundindo-os com certas tradições míticas e culturais dos índios, especialmente os da América espanhola, os quíchuas.

Qual a diferença entre o romantismo e os movimentos anteriores?

O Romantismo questionou, desmoralizou e destruiu o velho princípio clássico da imitação dos modelos antigos. Para os românticos, a expressão artística única, irrepetível correspondia à expressão do indivíduo e suas inumeráveis emoções, iluminação súbita e inspirada. Daí o surgimento de uma poética da "invenção" e da "novidade" como busca permanente da expressão de cada indivíduo, de cada momento, de cada sentimento, de cada paixão, como algo único e irrepetível.

Como isso se traduz na linguagem dos poemas?

Essa necessidade se impõe à estrutura do poema, ao ritmo, à rima, à dicção, à métrica, à alternância de versos longos e curtos, às metáforas ousadas, às hipérboles, ao aproveitamento da linguagem poética em todas as suas potencialidades musicais e expressivas. Por isso, a simples observação ligeira mostra-nos diferenças notáveis entre os poetas românticos, enquanto os neoclássicos, por exemplo, mais se assemelham por seguirem com certo rigor os modelos tradicionais.

Nesse sentido, também em termos formais o Romantismo manifesta rebeldia e tem um quê de moderno?

Ao equilíbrio neoclássico, ele contrapõe o desequilíbrio inovador e experimental. A linguagem é vista como impotente, incapaz de expressar toda a emoção e o sentimento. Diante da carga nova da sensibilidade e da intuição é necessário que as regras do código (isto é, a gramática da língua) sejam questionadas, que as categorias da razão sejam descartadas e sobressaia a pa lavra carregada de sentimentos do coração do poeta para o coração do leitor. Isso faz com que o poeta romântico privilegie o emissor (o eu, a função emotiva da linguagem, isto é, aquele que fala), comportando-se, diante da palavra com a desconfiança que, por assim dizer, ele inaugura na literatura ocidental moderna.

Para finalizar, qual é a importância do Romantismo no Brasil?

O romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa, mediante a diferenciação temática e de linguagem. O romantismo quebrou a estreita de pendência linguística que nos prendia à tradição literária portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por procurar um ponto de vista nacional brasileiro. Ao mesmo tempo, pelas contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa.


Ana Christina Damasceno

Romantismo no Brasil

Marco inicial
Publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836.

Marco final
Publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, em 1881, que inaugura o realismo.

Contexto histórico
A Independência é o principal fato político do século 19 e vai determinar os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil até a Proclamação da República (1889). Merece destaque também o Segundo reinado, em que o país conheceu um período de grande desenvolvimento em relação aos três séculos anteriores. Apesar disso tudo, o Brasil continuou um país fundamentalmente agrário, cuja economia se baseava no latifúndio, na monocultura e na mão de obra escrava.

Contexto cultural
Recém independente, o país procura afirmar sua identidade, tentando desenvolver uma cultura própria, baseada em suas raízes indígenas ou sertanejas. No entanto, isso se faz a partir da reprodução dos modelos do romantismo europeu, o que reflete o caráter intrinsecamente contraditório do romatismo brasileiro.

Características de estilo
De maneira geral, predominam as mesmas características do romantismo europeu. Contudo, vale mencionar a busca de autores como Gonçalves Dias e José de Alencar de "abrasileirar" a língua portuguesa. Também merecem destaque o Indianismo (que ganhou forma através da prosa romântica e da poesia do Romantismo) e o regionalismo, expressões tipicamente brasileiras do nacionalismo romântico. Com o Romantismo tem início da prosa de ficção brasileira.

Principais autores
Poesia
Gonçalves Dias
Álvares de Azevedo
Castro Alves
Sousândrade

Prosa
Joaquim Manuel de Macedo
José de Alencar
Bernardo Guimarães
Manuel Antônio de Almeida

Ana Christina Damasceno

Romantismo no Brasil

Marco inicial
Publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836.

Marco final
Publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, em 1881, que inaugura o realismo.

Contexto histórico
A Independência é o principal fato político do século 19 e vai determinar os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil até a Proclamação da República (1889). Merece destaque também o Segundo reinado, em que o país conheceu um período de grande desenvolvimento em relação aos três séculos anteriores. Apesar disso tudo, o Brasil continuou um país fundamentalmente agrário, cuja economia se baseava no latifúndio, na monocultura e na mão de obra escrava.

Contexto cultural
Recém independente, o país procura afirmar sua identidade, tentando desenvolver uma cultura própria, baseada em suas raízes indígenas ou sertanejas. No entanto, isso se faz a partir da reprodução dos modelos do romantismo europeu, o que reflete o caráter intrinsecamente contraditório do romatismo brasileiro.

Características de estilo
De maneira geral, predominam as mesmas características do romantismo europeu. Contudo, vale mencionar a busca de autores como Gonçalves Dias e José de Alencar de "abrasileirar" a língua portuguesa. Também merecem destaque o Indianismo (que ganhou forma através da prosa romântica e da poesia do Romantismo) e o regionalismo, expressões tipicamente brasileiras do nacionalismo romântico. Com o Romantismo tem início da prosa de ficção brasileira.

Principais autores
Poesia
Gonçalves Dias
Álvares de Azevedo
Castro Alves
Sousândrade

Prosa
Joaquim Manuel de Macedo
José de Alencar
Bernardo Guimarães
Manuel Antônio de Almeida

Ana Christina Damasceno

GOVERNO-GERAL DO BRASIL (PERÍODO COLONIAL)

Respondendo ao fracasso do sistema das capitanias hereditárias, o governo português realizou a centralização da administração colonial com a criação do governo-geral, em 1548. Entre as justificativas mais comuns para que esse primeiro sistema viesse a entrar em colapso, podemos destacar o isolamento entre as capitanias, a falta de interesse ou experiência administrativa e a própria resistência contra a ocupação territorial oferecida pelos índios.

Em vias gerais, o governador-geral deveria viabilizar a criação de novos engenhos, a integração dos indígenas com os centros de colonização, o combate do comércio ilegal, construir embarcações, defender os colonos e realizar a busca por metais preciosos. Mesmo que centralizadora, essa experiência não determinou que o governador cumprisse todas essas tarefas por si só. De tal modo, o governo-geral trouxe a criação de novos cargos administrativos.

O ouvidor-mor era o funcionário responsável pela resolução de todos os problemas de natureza judiciária e o cumprimento das leis vigentes. O chamado provedor-mor estabelecia os seus trabalhos na organização dos gastos administrativos e na arrecadação dos impostos cobrados. Além destas duas autoridades, o capitão-mor desenvolvia ações militares de defesa que estavam, principalmente, ligadas ao combate dos invasores estrangeiros e ao ataque dos nativos.

Na maioria dos casos, as ações a serem desenvolvidas pelo governo-geral estavam subordinadas a um tipo de documento oficial da Coroa Portuguesa, conhecido como regimento. A metrópole expedia ordens comprometidas com o aprimoramento das atividades fiscais e o estímulo da economia colonial. Mesmo com a forte preocupação com o lucro e o desenvolvimento, a Coroa foi alvo de ações ilegais em que funcionários da administração subvertiam as leis em benefício próprio.

Entre os anos de 1572 e 1578, o rei D. Sebastião buscou aprimorar o sistema de Governo Geral realizando a divisão do mesmo em duas partes. Um ao norte, com capital na cidade de Salvador, e outro ao sul, com uma sede no Rio de Janeiro. Nesse tempo, os resultados pouco satisfatórios acabaram promovendo a reunificação administrativa com o retorno da sede a Salvador. No ano de 1621, um novo tipo de divisão foi organizado com a criação do Estado do Brasil e do Estado do Maranhão.

Ao contrário do que se possa imaginar, o sistema de capitanias hereditárias não foi prontamente descartado com a organização do governo-geral. No ano de 1759, a capitania de São Vicente foi a última a ser destituída pela ação oficial do governo português. Com isso, observamos que essas formas de organização administrativa conviveram durante um bom tempo na colônia.


Emanuella Sousa

14 de setembro de 2010

A MITIFICAÇÃO DA MONARQUIA

Durante a Idade Média, a ordenação política se via sustentada pelo monopólio ideológico exercido pela Igreja Cristã. A mentalidade essencialmente religiosa serviu para que a sociedade fosse vista como um prolongamento da Santíssima Trindade. Os servos tinham como função trabalhar nas terras. A classe nobiliárquica desfrutava da riqueza produzida pelos servos e se dedicava à proteção de suas terras. No topo desta hierarquia estava a Igreja, que tinha como meta garantir a salvação espiritual de todos. 


Essa justificação ideológica, na grande maioria das vezes, era reafirmada por meio de imagens e construções suntuosas onde o poder das instituições pudesse ser visualmente percebido. É importante lembrar que o domínio das letras se limitava aos clérigos e a uma pequena parcela da população que desfrutava da oportunidade de aprender outras línguas ou entrar em contato com diferentes obras. 

O fim do período medieval trouxe consigo uma outra estrutura de poder agora não somente administrada pelos clérigos. A partir de então, os monarcas tinham fundamental importância para que o novo poder instituído viesse a atender as demandas de novos grupos sociais que apareciam junto ao renascimento urbano e comercial experimentado entre os séculos XII e XV. No entanto, o atendimento às necessidades da burguesia ou a vitória sobre as revoltas camponesas não são suficientes para legitimar essa nova autoridade. 

Os símbolos e idéias míticas que se apresentavam no imaginário medieval também tiveram espaço em meio aos Estados Nacionais Modernos. O rei coberto em suas vestes repletas de detalhes e cores se distinguia de seus súditos por meio de sua aparência. Além disso, um rei costumava utilizar adornos revestidos em ouro e carregar relíquias sagradas em suas mãos. Toda teoria de direito divino dos reis se via transfigurada por meio de gestos e objetos de impactante distinção. 

Na França, essa aura singular era reafirmada por meio de diferentes rituais. Quando um novo monarca chegava ao poder, a Catedral de Reims era preparada para que os clérigos tivessem que reconhecer o novo escolhido de Deus. A benção clerical, mais do que provar qualquer tipo de acordo ou subordinação entre Estado e Igreja, indicava a consumação de um evento mágico onde o povo via um novo predestinado ocupando um lugar de caráter sagrado. 

Dessa forma, mais do que um indivíduo ocupando um cargo político, o rei era visto como um instrumento dotado de virtudes irrevogáveis como justiça, ordem, prosperidade, vitória e força. De acordo com alguns historiadores, a paixão de Jesus por seus fiéis, era transposta em uma nova relação onde o monarca seria abnegado aos seus súditos reunidos nos limites daquela Nação. Dessa forma, conforme pontuado na Bíblia, a rei seria o cabeça de uma “casa” composta por uma multidão de pessoas que representariam as demais partes de um corpo harmonioso. 

Essa dimensão sagrada foi construída durante os séculos da Idade Moderna e trazia consigo os resquícios de diversos valores do mundo medieval. Somente a partir do século XVIII, com a explosão do racionalismo iluminista, é que percebemos a construção de uma argumentação contrária à veneração dedicada ao rei. Entre as mais significativas experiências históricas que promoveram essa ruptura, damos especial destaque à Revolução Francesa.



Emanuella Sousa